sexta-feira, 26 de abril de 2013

O sonho

  

É noite.  Não. Acho que é madrugada.
Não dá pra saber. No sertão, a luz do gerador se apaga às oito horas da noite. Eu acho.  Não sei direito. Sou só uma criança.
Estou com muito medo. Está escuro.
Ouço vozes. Escondo-me debaixo do banco. Vejo, na penumbra, dois pares de pernas. São calças maltrapilhas. São calças de homens. São vozes de homens.
O quê eles conversam? Não consigo discernir. Uma conversa esquisita. As vozes estão esquisitas. Parece alguém que fala com a boca cheia. Uma voz embolada.
Ouço um barulho. Um tilintar de vidro batendo: ‘tein’, ‘tein’, ‘tein’ ...  mas não ouço o ‘crac’ de vidro quebrado.
Estou com muito medo... com muito medo...

Abro os olhos: é dia.
Vejo minha mãe. Vejo minhas irmãs.
Está tudo bem. Estou em casa. Foi só um sonho.
Onde eu estava? Numa praça? Não sei, mas não tem importância. Amanhã vou sonhar tudo de novo e, dessa vez, vou descobrir....

segunda-feira, 25 de março de 2013

Cada pausa uma marca.

Como deixar uma marca? 
Como viver sem se marcar? 

 É inevitável a passagem do tempo... 
É indelével a marca do tempo... 

Viver é deixar marcas!
Viver é se deixar marcar!